domingo, 24 de agosto de 2014
Você e esses seus caprichos!
Lá vem você com esses seus enjoos.
Às vezes você me cansa, sabia?
Esse seu jeito certo, só seu.
A sua capacidade de querer ser agradada.
E, quando acerto, lá vem você se sentindo entendiada.
E, se insisto em agradar,
você se sente sufocada.
Você e esseus seus caprichos.
Certas vezes você amadurece.
Abre mão de suas exigências.
Torna-se uma pessoa externamente mais agradável
e internamente mais triste.
Seus caprichos são extensões de sua natureza.
Sua natureza é reflexo de sua centelha divina.
Não é escolha sua ser assim,
reagir assim.
E, na verdade, você não prejudica ninguém sendo como você é.
Você é o Pedaço de Deus que há em você, aí dentro.
Você é feliz com seus caprichos,
com seus enjoos.
Esse seu jeito chato.
E eu acabei entendendo que,
se eu gosto de você,
eu preciso gostar de você feliz.
E, já que é assim,
eu gosto do seu jeito chato,
gosto dos seus enjoos.
Eu gosto de você e esses seus caprichos.
Parece um pensamento banal, mas sinto que cresci ententendo que essa compreensão é uma peça fundamental no sentido da vida.
Concluir e aceitar isso me fez bem.
Obrigado!
Muito obrigado!
sábado, 31 de maio de 2014
A joaninha e o vendaval
Ela estava ali no jardim, sobre uma flor umedecida e adormecida que ainda se despertava com os primeiros raios de sol que surgiam naquele meu pedacinho de céu azul, tomando seu gole de orvalho matinal. Era uma joaninha diferente, com um ar que lhe dava o aspecto de um ser ao mesmo tempo frágil e forte. A fragilidade da leveza de seus movimentos e a força oriunda de sua natureza, que, juntas, transbordavam em suas cores tão vivas.
Haviam poucas nuvens no céu naquela manhã. Sabe quando ficam parecendo chumaços flutuantes de algodão? Daquele jeito. A joaninha percebeu que eu a admirava, se virou para mim, abriu suas asas e ficou um tempo assim, estática. Senti uma brisa suave. E a joaninha olhando para mim. Ela abanou um pouco suas asas. A doce brisa se transformou em um vento agradável. E a joaninha olhando para mim. Abanou suas asas mais rapidamente. A ventania tornou-se mais forte. E a joaninha olhando para mim. Ela bateu as asas apenas para mudar para a folha da margarida ao lado e começou o vendaval. Nada ficou em seu lugar. Entulhos foram arrastados e árvores arrancadas pela raiz.
Cobri meus olhos e, lutando contra aquela tormenta, dei um passo a frente e coloquei meu dedo indicador na folha em que ela havia pousado. Ela subiu em meu dedo, acalmou o soprar do vento, parou sobre minha unha e me permitiu admirá-la.
Olhei para cima e já não haviam mais nuvens no céu. Só havia o azul. O azul e a sensação de leveza na alma.
Maoli
domingo, 13 de outubro de 2013
Capetinha
Você tá de bobeira
Procurando nada
Você olha no olho dela
E sua paz acaba
Ela quer sossego
Você vai atrás
Ela dá um sorriso
E você quer mais
Você tá de bobeira
Ela te provoca
Você vai pro lado dela
Ela dá no pé
Ela quer sossego
Você deixa quieto
Ela joga aquele charme
E tira você do sério
Você tá de bobeira
Ela não dá bola
Um quer bebedeira
O outro coca-cola
Ela quer sossego
Você corre atrás
Pegou a pista errada
Devagar demais
Você tá de bobeira
Ela quer sossego
Vocês querem a mesma coisa
O jogo do chamego
Você tá de bobeira
Ela quer sossego
Voc...
...
....
...
...
...
(Continua)
sábado, 12 de outubro de 2013
VOCÊ, CRIANÇA!
Sabe quando vem aquela sensação de nostalgia dos tempos de infância? Aquele tempo bom de você criança?
Sua maior preocupação era o ralado no joelho, porque sabia que a mãe ia
brigar. Você caiu voltando da escola. Estava correndo com um amiguinho. Como será que ele está? Quem será o homem que ele se tornou?
Você tinha medos bobos.
Se empolgava com facilidade.
Sentia ansiedade pelos menores detalhes.
Cansava de brincar e ia fazer outra coisa.
Hoje você aprendeu que ser adulto significa ter responsabilidades.
Não se divertir com futilidades em público.
Se preocupar com o futuro.
Remoer o passado.
Ter uma postura de respeito.
Agora viaja comigo!
Daqui há dez anos você se lembrará da época em que está vivendo agora e,
com nostalgia, irá pensar: "Tudo era tão simples e eu não sabia. Se eu
tivesse a cabeça que tenho hoje teria aproveitado muito mais."
E, geralmente, você não aproveita o agora porque:
Hoje você tem medos bobos (Cada decisão, por menor que seja, parece que
irá mudar toda a sua vida).
Você se empolga (Em meio a tantas tragédias, pequenas satisfações chegam atropelando tudo).
Você se empolga (Em meio a tantas tragédias, pequenas satisfações chegam atropelando tudo).
Você sente ansiedade com os menores detalhes (Uma frase que ele falou.
Aquele olhar pode ter significado algo. Será que devo responder a
mensagem?).
Você se cansa de algo ou de alguém e vai fazer outra coisa (O
relacionamento que perdeu a graça. As aulas que não fazem mais sentido. O
serviço rotineiro).
A vida adulta é uma ilusão!
Você é a mesma criança da qual sente falta!
É só uma criança que se machucou demais.
Uma criança que se cansou dessa brincadeira chata.
Você, criança!
Se tá achando tudo chato, vá brincar de outra coisa!
Lave esse machucado, engula o choro e vá lá pra fora!
Faça novos coleguinhas. Invente novas brincadeiras.
Você, criança!
Não se cobre tanto!
Não se preocupe em ser a melhor criança do time!
A que cospe mais longe.
A que tem o pintinho maior.
A que corre mais rápido.
A que pula mais altão.
Apenas aproveite essa tarde gostosa.
Vai brincar, vai!
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Maoli
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Dia das crianças
sábado, 27 de julho de 2013
Brincando com o dom adormecido (velha infância)
Dias que antecedem aniversário sempre trazem reflexão, assim como o final do ano. Estranhamente, em véspera de mais um aniversário, não me flagro pensando no futuro, mas sim nas coisas que eu gostava e que a vida adulta me fez esquecer.
Eu adorava desenhar. Dizia que ia ser desenhista. Talvez por isso eu sinta que está faltando algo. O que fiz? Desenhei!
Um desenho meio torto, um sorriso meio correto!
Esta aí:
Eu adorava desenhar. Dizia que ia ser desenhista. Talvez por isso eu sinta que está faltando algo. O que fiz? Desenhei!
Um desenho meio torto, um sorriso meio correto!
Esta aí:
Apenas um estalo - 1
Nossa vida é uma viagem que não acontece como planejamos. A paisagem está estranha e nos sentimos perdidos. Abrimos mão de noites de sono, dias, anos, saúde, amizades, parceiros, oportunidades, tentando descobrir em que rua deveríamos ter virado nesse mapa idiota que parece estar ao contrário. Tentamos nos acostumar com o lugar onde fomos parar. Tentamos voltar. Tentamos continuar seguindo para ver o que tem no fim da estrada. Provavelmente o erro foi termos planejado um itinerário acreditando que seríamos as mesmas pessoas que fomos um dia, quando colocamos a mochila nas costas. Sente-se na calçada, rasgue a sua antiga lista de metas, respire fundo e comece a rabiscar. Às vezes, precisamos apenas de novos riscos para nos encontrar.
BC
sábado, 29 de junho de 2013
O Forte
Era uma vez, bem lá no interior
Nasceu um menino
Disse a parteira:
“Pra pegar na enxada é muito franzino
Sinto muito, seu Sinhô”
Disse o pai: “Fio meu num vai pra lida. Esse aí vai ser dotô”
O menino foi crescendo
Tomou tiro e jogou bola
Trocou gibis na porta do cinema
Traçou sua vida na escola
Como um dos heróis de faroeste e capa e espada, imaginava a
sua história
“É assim que eu quero ser! Quando eu crescer, vou ter minha
vitória!”
Ainda rapazinho, sua própria vida se tornou sua lavoura
Quando a fantasia de menino foi abandonada
Enfrentou secas e ventos terríveis
O livro era a sua enxada
Pra resistir às intempéries, como os bravos personagens de
sua infância, construiu um forte
E lá, protegido, continuou a semeada, em busca de seu norte
E foi nesse forte que eu nasci
E foi com os valores desse herói que eu fui criado
Com amor e gratidão eu digo
"Meu pai, muito obrigado!"
Sua missão no seu forte foi cumprida
Sua lida, satisfeita
Pode baixar a guarda, descansar
Ficar por conta da colheita
Becê
domingo, 2 de junho de 2013
Eu ouço a música!
Você olha para o lado e nota que alguém está olhando para você. Só então você percebe que estava falando sozinho há pelo menos dez minutos (você calcula isso porque a última lembrança que você tem é do momento em que saiu de casa). Depois disso, sem perceber, você se deslocou mentalmente para outro lugar e outro momento. Um lugar e um momento mais interessantes, pode-se dizer. É algo semelhante a quando você está com fones de ouvido curtindo aquela música que tanto gosta. Você balança a cabeça e até canta de olhos fechados. Nas duas situações, quem está ao seu do diz "está louco", ou então diz "esse aí é bobo demais”.
Para as duas situações,
a resposta a se dar é: "Eu ouço a música!"
quarta-feira, 27 de março de 2013
A FANTÁSTICA TRANSA ENTRE O UNO E O VERSO (ou PORQUE EU ESCREVO)
No
princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo
foi feito por ele e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida e a vida era a
luz dos homens. A luz resplandece nas trevas e as trevas não a
compreenderam. (João, Capítulo I – Novo Testamento)
A caneta está bem ali. Ela
fica assim, deitada, olhando para mim. Testando-me.
Pensamentos vêm à mente
e então vou para onde ela está. Os pensamentos se esvaem e ela sorri. Essa
danada sabe como me provocar.
Estou cansado, não
quero nada com ela hoje e finjo que não a vejo.
Mais ideias surgem. Vou
atrás dela, mas ela não está mais lá. Não acredito que teve a ousadia de se
esconder de mim. Novamente com esses joguinhos. Olho atrás de um livro e a
encontro. Pego-a pela tampa e a jogo na mesa, como uma qualquer.
Engraçadinha! Sabemos
como isso irá terminar! Tentei ficar irritado com a brincadeira, mas ela é tão
bonita. Que coisa mais linda!
Eu a pego com carinho.
A posiciono sobre os dedos indicador e médio e pressiono suavemente com o
polegar. Ela se deixa levar e se
entrega. Começo a escrever vagarosamente as frases que já estão em minha mente.
Aos poucos, o mundo ao redor começa a se apagar. Olho para ela, admirado, e
vejo que naquele momento ela está longe de tudo também. Nada mais importa, além
da nossa escrita.
Tiro a caneta das mãos
por um momento e a repouso sobre a mesa. Ela está brilhando. Pego mais uma
folha de papel e devolvo minha atenção a ela.
Eu a seguro com força.
A respiração fica mais profunda. Os dentes, cerrados. As ideias vão surgindo a
cada batida do coração. Aos poucos minha mente fica cada vez mais em branco,
enquanto o papel se preenche. As palavras saem das vísceras e vão para as
pontas dos dedos e de lá para a caneta. Ela não hesita em demonstrar que está
gostando. Movimenta-se com agilidade e a tinta flui mais do que naturalmente.
Palavras são entalhadas,
uma a uma, e em mim não resta mais coisa alguma, além de um ponto final.
Dou um beijo nela e calmamente recoloco sua tampa.
Sento-me ao lado e acendo um cigarro, satisfeito.
Ela se deita, aparentemente morta de cansaço, e
depois olha docemente para mim.
Ao nosso lado, repousa magistralmente o registro de
nossa relação tão intensa e necessária.
Amor e paixão pelo poder da palavra.
Maoli
sexta-feira, 8 de março de 2013
E, DE REPENTE, É SEXTA-FEIRA
Você acorda na manhã de segunda-feira já planejando chegar
cedo ao trabalho para o serviço da semana adiantar. Problemas evitar. Do
estresse se livrar.
A sua música passou.
A ração sobrou.
A cerveja gelou.
O telefone não tocou.
E, de repente, é
sexta-feira.
É segunda-feira e você
abre os olhos pensando em começar a praticar exercícios. Talvez uma leve
caminhada. Dessa semana não passa. Diminuir a barriga. Começar a dieta. Andar
de bicicleta.
A gata pariu.
A velha morreu.
O helicóptero caiu.
O livro que não leu.
E, de repente, é
sexta-feira.
Seu despertador toca e é manhã de segunda-feira.
Você acorda disposto. Essa semana será diferente. Você vai estudar. Para a
entrevista de emprego se preparar.
A bolha estourou.
O sol nasceu.
A boca que se calou.
O carro que você bateu.
E, de repente, é
sexta-feira.
Você nem dormiu direito pensando em tudo o que
deixou para a última hora. É segunda-feira outra vez e você quer se organizar. Do
lixo interno se livrar. A bagunça aí dentro arrumar.
A fumaça subiu.
O incenso acabou.
A dor de cabeça surgiu.
A música do Fantástico soou.
E, de repente, é
sexta-feira.
Você sabe que é segunda-feira
e está cansado de perceber que a vida passa e você não vê. Sem pressa você se
levanta. Não quer nem pensar no que vai fazer. Abre a geladeira e a única preocupação
é decidir o que comer. Saciar a lombriga. Dane-se a barriga.
O galo cantou. O câncer sumiu. A menstruação desceu.
O beija-flor
voltou. A Terra girou. O garoto sorriu. E, de repente, é bom dia. Olha o sol aí de novo.
É terça-feira, afinal!
A vida vem te buscar.
E você vai com ela de
mãos dadas.
Um passo após o outro.
Um dia
de cada vez.
BC
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